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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Mudou, e vai mudar muito mais...

Para algumas pessoas que não viveram o BDSM antes do advento da Internet talvez muitas coisas que por aqui aconteçam hoje lhes sejam absolutamente naturais. Para a turma da velha guarda, que vive prazerosamente as delícias desse meio, mesmo antes da existência da "casa de tijolos" lá na rua da Consolação, aqui em São Paulo, muitas coisas mudaram.

Quantitativamente, o número de adeptos ao meio aumentou exponencialmente devido à facilidade de acesso a informações que até então não existiam.
Mas a questão quantitativa não deveria ser nenhum problema, mas inversamente uma grande vitória. Sempre fomos discriminados e classificados como pessoas à jusante de comportamentos sociais "normais”, logo, o aumento de praticantes e simpatizantes deveria, na mesma proporção exponencial, diminuir essa visão deturpada pela ignorância (pura falta de conhecimento das coisas) dos não praticantes.

Qualitativamente essa explosão trouxe à tona questões que merecem uma reflexão. Sobre isso, deixo claro que não realizei nenhuma pesquisa científica, e minha opinião sobre o assunto é meramente empírica, ou seja, apenas baseada na minha experiência direta e observações.

Hoje presenciamos os termos sadomasoquismo, BDSM, dominação, submissão, entre outros, com muita facilidade e frequência, quer sejam em salas de bate-papo, sites de relacionamentos e de filmes, livros, revistas, etc., onde, na grande maioria dos casos, o termo sexo está totalmente ligado. Para um leigo, a relação é simples e direta, e o pensamento é esse: “uma outra forma de fazer sexo”.
Destarte, a entrada de “curiosos” no meio é grande. Quantos ficam? Quantos saem? Não dá pra saber, tampouco importa. A questão é outra: dos que ficam vê-se claramente que uma boa parte, principalmente de homens, já se intitulam DOM´s e se lançam à caça de um sexo diferente.
No outro lado da moeda estão as mulheres, que por sinal são muito mais sensatas nesse aspecto. É claro que essa sensatez tem muito com o gênero, pois nos conta a história que é sempre a mulher que tem muito mais a perder. Independentemente do motivo, são elas que antes de se lançarem ao mundo real, perguntam, pesquisam, lêem, enfim, tentam se preservar. Mas esses comportamentos não são regras, e existem exceções em todos os lados.

Encontrar uma forma de parar o comportamento de curiosos que se lançam sem preparo é possível? Claro que não, e na minha opinião nem devemos cogitar tal coisa. Politicamente porque vivemos numa democracia; espiritualmente porque vivemos de acordo com o livre-arbítrio; socialmente porque dentro do nosso meio não devemos discriminar nada nem ninguém, a não ser é claro, que tais comportamentos venham a prejudicar alguém, mas ai é caso de polícia, aqui ou em qualquer outro estrato da sociedade.

E essa explosão quantitativa tem explicações simples. O BDSM é sexy, bonito, gostoso, prazeroso, ritualístico, desprovido de hipocrisias e pudores, sedutor, encantador, misterioso, enfim, qualidades não lhe faltam para atrair qualquer um que esteja “desconfortável” ou “incompleto” na atual situação que vive.

Então, que sejam bem vindos todos os curiosos e insatisfeitos, independentemente do gênero, mas que venham com sede de conhecimento; com humildade para saberem que ninguém sabe absolutamente nada, pois somos todos aprendizes; e principalmente com muito respeito ao próximo.

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