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quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Instituição BDSM


A consciência de um homem (comportamentos, atitudes, pensamentos) é construída através do meio em que viveu/vive. As instituições sociais sejam religiosas, educacionais, familiares, recreativas, etc., através daquilo que entendem serem “dogmas de comportamento”, vão impondo padrões do que é certo ou errado, verdadeiro ou falacioso, direito e dever, mas que são absolutamente necessários para o estabelecimento de uma ordem à sociedade. Existem padrões comuns e/ou específicos, alguns sustentados por leis, outros por costumes.

Quando uma pessoa se sente atraída pelo BDSM – e não importam aqui os motivos, inicia um processo natural de busca para saciar suas dúvidas e sede de conhecimentos – também não importa em que grau e de que forma faz isso. O fato é que existe um choque de comportamentos. Essa pessoa vê e/ou fica sabendo da existência: de submissas que chegam ao orgasmo pela dor; de Dom´s que mantém sob seus domínios duas, e às vezes até três submissas; de espaços físicos onde acontecem confraternizações, festas e eventos do BDSM; das sessões onde Dom´s e sub´s efetivamente materializam uma parte de seus desejos e vontades, e de como são essas sessões; de como se dá uma relação D/s ou SM; da existência da Dominação Psicológica, etc.

O choque – que até me arrisco chamar de cultural, é inevitável. É claro que cada pessoa irá enxergar essa nova forma de comportamento de maneiras diferentes. Uns com excitação, atração, desejos, outros com um pé atrás, alguns com os 2 pés atrás (rsss), talvez com ojeriza, medo, extravagância, doença (rsss), sei lá mais quantas outras visões.

Quem se arrisca a conhecer mais (os verdadeiramente atraídos), iniciam um processo de misturar os padrões de comportamento. Tentam trazer para dentro do BDSM “dogmas” das instituições que formaram sua consciência, pois ainda não sabem que o BDSM também é uma instituição, e como tal, tem seus dogmas de comportamento, seus princípios e sua liturgia própria para que não o descaracterize de sua essência.

Esse processo de absorção do novo comportamento não tem um tempo pré-definido e irá variar muito de pessoa para pessoa, como também das pessoas e da forma como irão se relacionar.

Esse choque – minha posição pessoal – é maior nas submissas. Seus limites e limitações, na grande maioria, são muito mais psicológicos (de comportamentos trazidos de outras instituições) do que físicos. Separar é fácil? Claro que não! É um processo às vezes doloroso e longo, até porque não existirá a separação da pessoa: baunilha de um lado e “bdsemista” do outro. A dor latejará mais forte no íntimo enquanto a pessoa não assumir de fato aquilo que é! Assumida a nova situação (sou DOM ou sou submissa), encontrar o equilíbrio fica mais fácil, pois um importante passo já foi dado. Outro passo, não menos importante, é entender, aceitar e respeitar a essência do BDSM como instituição (seus dogmas, princípios e liturgia), pois isso todos fazemos em outras instituições. Por exemplo, um indivíduo se assume numa determinada religião, é filiado num partido político, trabalha numa empresa X, freqüenta um clube recreativo e tem família constituída. Essa pessoa irá se comportar sempre da mesma forma em cada instituição? Claro que não! Como também não necessariamente ficará dizendo em todos os lugares o que faz da vida. Essa pessoa divide sua personalidade em 5? Também não, é uma só pessoa! Mas essa pessoa respeita, aceita e entende as regras e dogmas de cada instituição, seja por necessidade (no caso de um emprego), seja por livre escolha – livre-arbítrio. No BDSM entramos com o livre-arbítrio, porém sem nunca esquecer que também é uma instituição (não é constituída juridicamente, não tem representantes legais, etc), mas tem seus costumes, dogmas, princípios, liturgia, e que devem ser entendidos, aceitos e respeitados.


PS: não escrevi este texto com o objetivo de defender o BDSM, pois este é um organismo vivo e uma instituição que tem autodefesa!

1 comentários:

Catlin disse...

Amei esse texto, algumas frases lembram um pouco de minhas críticas, pensamentos..
Bom que todos tivessem conciência do Universo BDSM.
Caro Lord seu blog está cada dia melhor.
beijos respeitosos...

Catlin