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terça-feira, 6 de julho de 2010

Limites e limitações no BDSM


Assunto simples, porém que ainda suscita algumas dúvidas, principalmente entre iniciantes. Mais uma vez externo ser uma visão pessoal construída através de minha vivência no meio e sem nenhuma pretensão de criar um conceito fixo.

Inicialmente vamos às definições, que neste caso não são puramente “aurelianas”, mas sim “bdsemistas”; os dicionários aqui servirão apenas como base na construção desta visão.

Dicionário Aulete para limitação: “1. Ação ou resultado de limitar ou limitar-se. 3. Fig. Ação de conter dentro de certos limites (limitação de poderes)”.

BDSM: 1. Ação do DOM de conter-se às práticas consensualmente acordadas com sua submissa. 2. As práticas que a submissa se propõe a realizar numa relação D/s.

Dicionário Aulete para limite: “Linha ou ponto, real ou imaginário, que marca a separação entre duas coisas (...)”.

BDSM: O exato momento (quer seja pela percepção e sensibilidade do Top, quer seja com o uso da safe work pela sub) que determina quando um DOM deve parar uma prática consensualmente acordada que esta realizando com sua submissa.


Temos então duas situações, que apesar de se complementarem, são distintas. A primeira – limitações – determinam as práticas, e a segunda – limites – condicionam até onde ir com estas práticas.

Definidos os conceitos “bdsemistas” podemos discorrer sobre algumas questões muito relevantes que lhes dizem respeito, a partir de alguns axiomas:


Submissas devem conhecer seus atuais limites e limitações.

Este é um conhecimento absolutamente necessário; é ter autoconhecimento daquilo que gosta ou que desperta interesse, bem como daquilo que não gosta e/ou não realizaria. Essa descoberta não é fácil, principalmente no que diz respeito ao que não foi vivenciado. Nestes casos é aconselhável um período de pesquisas (conversas, leituras) sem nenhuma pressa. Nada de se afobar, de apressar as coisas, subjulgando a razão aos desejos.


Os limites e limitações devem ser externados com clareza e honestidade.

Conhecer o que se quer ou ter a clareza daquilo que lhe desperta interesse é fundamental, porém muito mais importante nesta situação é externá-los com honestidade e de maneira objetiva, que não deixe dúvidas. Já repararam como muitos relacionamentos D/s terminam porque os envolvidos se comunicam de forma falha? Explicite tudo de forma clara e não tenha vergonha de não saber algo.

Honestidade também é muito importante, e não relaciono seu antônimo à má fé. Às vezes os envolvidos mentem (ou omitem) apenas para entrarem numa relação. Uma sub que não gosta de determinadas técnicas nada diz ao DOM com quem conversa para tentar o relacionamento, e o inverso também acontece. Lá na frente as verdades vão surgir e dependendo da influência, nada mais há a fazer a não ser terminar a relação.


Respeitar os limites e limitações acordados consensualmente.

Parece óbvio, e é! Mas o óbvio deixa de sê-lo quando as intenções dos lados envolvidos não estão sustentadas pelas questões abordadas anteriormente. Nota-se que existe uma construção lógica destes axiomas: conhecê-los; torná-los claros e honestos; e respeitá-los.


Nem todos os limites e limitações são imutáveis.

A grande maioria dos pontos limítrofes é temporal, sejam de limites ou limitações. Não há como dizer, para tudo, desta água não beberei. O tempo, o relacionamento, as experiências, os espinhos, a condução pelo Top, etc., são fatores que mudam ou excluem os pontos até então ditos extremos. Independentemente da elasticidade que cada um deles tem numa submissa, devem ser vivenciados com alegria, prazer, respeito e muito carinho.

4 comentários:

Catlin disse...

Bom dia, Lord Bondage.
Parabens pelo texto, como sempre um assunto mais polemico, e um texto super bem escrito.
beijos em teu coração

¥ nyssa ¥...ÅS disse...

Lord Bondage,

Pontualíssimo o texto, no momento em que há debates em andamento, é indispensável nos remetermos a esses dois termos que contextualizam e relativizam quaisquer práticas.
Eu escrevi em algum lugar que o que baliza a relação BDSM é o "jogo" de poder, esse, uma vez determinado, pode seguir percursos bastante singulares conforme cada relação.
Sábio que tenha publicado esse tema agora.

Saudações

µrsiŋђα Ѽ  disse...

Perfeito sua postagem.

"Se a luz é o primeiro amor da vida, não será o amor a luz da vida?"
(Honoré de Balzac)

bjs de mel
ursinha

Loira Sensual - Sensualidade a flor da pele.... disse...

Engraçado como falamos exatamente sobre isso...
E como os limites são ultrapassados qdo existe uma vontade maior de conhecer aquilo que não sabemos. Só vivendo plenamente, é que podemos saber até onde nossos limites são alcançados.

Beijos nossos...