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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

DOM´S e dom´s !


Há muito não freqüento as salas de bate-papo, mas numa de minhas idas por lá, nesse tempo passado, lembro-me de um indivíduo que entrou no chat (o tema era SM) com o nick Quero ser Dom, ou algo parecido com isso. Assim que ele entrou algumas pessoas começaram com piadinhas, insultos, etc. Alguns minutos depois ele se dirigiu a mim e perguntou se eu o ensinaria a ser um Dom, e disse também que já havia feito essa pergunta a outros e que só recebeu NÃO, e isto quando este não vinha acompanhado de um "vai te catar", "cai fora", etc.

Recentemente, conversando com algumas pessoas e lendo alguns blog´s, um assunto não me sai da cabeça, e complementando minha última postagem, considero importante externar aqui mais algumas de minhas opiniões.

Dominação é algo muito sério, prazeroso, delicioso, porém de extrema responsabilidade. Não se entra no BDSM como Dom fugindo de algo incompleto como forma de preencher um vácuo. Dominar é uma opção de vida, que faz do BDSM parte dela, mesmo que você não viva em função disto.Vem de dentro para fora; aflora a pele e os sentidos; é tesudo, mágico!

Ser Dom não é simplesmente encontrar uma mulher que se diga submissa e sair lhe dando ordens; muito menos empunhar um chicote para lhe provocar dor - não é essa a dor da submissão; não é essa a dor do prazer. Parafraseando Mestre Jota SM, pergunte a uma submissa se ela sente prazer quando bate a perna na quina de uma mesa; pergunte-lhe se ela tem orgasmos com isso.

O instinto do Dominador antes de ter a peça a sua mercê o leva a conhecê-la; a conquistá-la; a fazê-la sentir sua falta, a que você seja seu vício. Em contrapartida (pois toda submissão é concedida), toda submissa “deveria” reconhecer essas características dominantes. Uma boa parte reconhece, mas uma outra parte, principalmente de iniciantes, ainda são algozes de falsos dominadores.

Não estou sendo contraditório com meu post anterior, continuo dando as boas vindas a quem quiser por aqui aparecer, desde que com consciência e respeito.

Dominar é se fazer presente mesmo quando ausente; é cuidar, proteger, ensinar, moldar sua peça para a satisfação dos teus prazeres – que também serão os dela, pois é uma via de duas mãos. É conhecer seu tom de voz, sua respiração, seu olhar, seus gemidos. Uma submissa dá ao seu Dom aquilo que ela não dá nem ao seu cônjuge (no caso de sub´s casadas).

Como não respeitar e admirar uma mulher assim? Somente os hipócritas.


Saudações SM!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Mudou, e vai mudar muito mais...

Para algumas pessoas que não viveram o BDSM antes do advento da Internet talvez muitas coisas que por aqui aconteçam hoje lhes sejam absolutamente naturais. Para a turma da velha guarda, que vive prazerosamente as delícias desse meio, mesmo antes da existência da "casa de tijolos" lá na rua da Consolação, aqui em São Paulo, muitas coisas mudaram.

Quantitativamente, o número de adeptos ao meio aumentou exponencialmente devido à facilidade de acesso a informações que até então não existiam.
Mas a questão quantitativa não deveria ser nenhum problema, mas inversamente uma grande vitória. Sempre fomos discriminados e classificados como pessoas à jusante de comportamentos sociais "normais”, logo, o aumento de praticantes e simpatizantes deveria, na mesma proporção exponencial, diminuir essa visão deturpada pela ignorância (pura falta de conhecimento das coisas) dos não praticantes.

Qualitativamente essa explosão trouxe à tona questões que merecem uma reflexão. Sobre isso, deixo claro que não realizei nenhuma pesquisa científica, e minha opinião sobre o assunto é meramente empírica, ou seja, apenas baseada na minha experiência direta e observações.

Hoje presenciamos os termos sadomasoquismo, BDSM, dominação, submissão, entre outros, com muita facilidade e frequência, quer sejam em salas de bate-papo, sites de relacionamentos e de filmes, livros, revistas, etc., onde, na grande maioria dos casos, o termo sexo está totalmente ligado. Para um leigo, a relação é simples e direta, e o pensamento é esse: “uma outra forma de fazer sexo”.
Destarte, a entrada de “curiosos” no meio é grande. Quantos ficam? Quantos saem? Não dá pra saber, tampouco importa. A questão é outra: dos que ficam vê-se claramente que uma boa parte, principalmente de homens, já se intitulam DOM´s e se lançam à caça de um sexo diferente.
No outro lado da moeda estão as mulheres, que por sinal são muito mais sensatas nesse aspecto. É claro que essa sensatez tem muito com o gênero, pois nos conta a história que é sempre a mulher que tem muito mais a perder. Independentemente do motivo, são elas que antes de se lançarem ao mundo real, perguntam, pesquisam, lêem, enfim, tentam se preservar. Mas esses comportamentos não são regras, e existem exceções em todos os lados.

Encontrar uma forma de parar o comportamento de curiosos que se lançam sem preparo é possível? Claro que não, e na minha opinião nem devemos cogitar tal coisa. Politicamente porque vivemos numa democracia; espiritualmente porque vivemos de acordo com o livre-arbítrio; socialmente porque dentro do nosso meio não devemos discriminar nada nem ninguém, a não ser é claro, que tais comportamentos venham a prejudicar alguém, mas ai é caso de polícia, aqui ou em qualquer outro estrato da sociedade.

E essa explosão quantitativa tem explicações simples. O BDSM é sexy, bonito, gostoso, prazeroso, ritualístico, desprovido de hipocrisias e pudores, sedutor, encantador, misterioso, enfim, qualidades não lhe faltam para atrair qualquer um que esteja “desconfortável” ou “incompleto” na atual situação que vive.

Então, que sejam bem vindos todos os curiosos e insatisfeitos, independentemente do gênero, mas que venham com sede de conhecimento; com humildade para saberem que ninguém sabe absolutamente nada, pois somos todos aprendizes; e principalmente com muito respeito ao próximo.

Hino à dor


Dor, saúde dos seres que se fanam,
Riqueza de alma, psíquico tesouro,
Alegria das glândulas do choro
De onde todas as lágrimas emanam...


És suprema! Os meus átomos se ufanam
De pertencer-te, oh! Dor, ancoradouro
Dos desgraçados, sol do cérebro, ouro
De que as próprias desgraças se engalanam!


Sou teu amante! Ardo em teu corpo abstrato.
Com os corpúsculos mágicos do tato
Prendo a orquestra de chamas que executas...


E, assim, sem convulsão que me alvoroce,
Minha maior ventura é estar de posse
De tuas claridades absolutas!
 
 
(Augusto dos Anjos)