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segunda-feira, 26 de abril de 2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010

(des) ...


(des) construo-te


para que sejas meu espelho...




(des) mistifico-te


para que vivas tua liberdade...




(des) naturalizo-te


para que conheças tua essência...




(des) prendo-te


para que te sintas livre...




(des) ato-te


para que possas voar...




(des) vendo-te


para que vejas quem realmente és!


quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Instituição BDSM


A consciência de um homem (comportamentos, atitudes, pensamentos) é construída através do meio em que viveu/vive. As instituições sociais sejam religiosas, educacionais, familiares, recreativas, etc., através daquilo que entendem serem “dogmas de comportamento”, vão impondo padrões do que é certo ou errado, verdadeiro ou falacioso, direito e dever, mas que são absolutamente necessários para o estabelecimento de uma ordem à sociedade. Existem padrões comuns e/ou específicos, alguns sustentados por leis, outros por costumes.

Quando uma pessoa se sente atraída pelo BDSM – e não importam aqui os motivos, inicia um processo natural de busca para saciar suas dúvidas e sede de conhecimentos – também não importa em que grau e de que forma faz isso. O fato é que existe um choque de comportamentos. Essa pessoa vê e/ou fica sabendo da existência: de submissas que chegam ao orgasmo pela dor; de Dom´s que mantém sob seus domínios duas, e às vezes até três submissas; de espaços físicos onde acontecem confraternizações, festas e eventos do BDSM; das sessões onde Dom´s e sub´s efetivamente materializam uma parte de seus desejos e vontades, e de como são essas sessões; de como se dá uma relação D/s ou SM; da existência da Dominação Psicológica, etc.

O choque – que até me arrisco chamar de cultural, é inevitável. É claro que cada pessoa irá enxergar essa nova forma de comportamento de maneiras diferentes. Uns com excitação, atração, desejos, outros com um pé atrás, alguns com os 2 pés atrás (rsss), talvez com ojeriza, medo, extravagância, doença (rsss), sei lá mais quantas outras visões.

Quem se arrisca a conhecer mais (os verdadeiramente atraídos), iniciam um processo de misturar os padrões de comportamento. Tentam trazer para dentro do BDSM “dogmas” das instituições que formaram sua consciência, pois ainda não sabem que o BDSM também é uma instituição, e como tal, tem seus dogmas de comportamento, seus princípios e sua liturgia própria para que não o descaracterize de sua essência.

Esse processo de absorção do novo comportamento não tem um tempo pré-definido e irá variar muito de pessoa para pessoa, como também das pessoas e da forma como irão se relacionar.

Esse choque – minha posição pessoal – é maior nas submissas. Seus limites e limitações, na grande maioria, são muito mais psicológicos (de comportamentos trazidos de outras instituições) do que físicos. Separar é fácil? Claro que não! É um processo às vezes doloroso e longo, até porque não existirá a separação da pessoa: baunilha de um lado e “bdsemista” do outro. A dor latejará mais forte no íntimo enquanto a pessoa não assumir de fato aquilo que é! Assumida a nova situação (sou DOM ou sou submissa), encontrar o equilíbrio fica mais fácil, pois um importante passo já foi dado. Outro passo, não menos importante, é entender, aceitar e respeitar a essência do BDSM como instituição (seus dogmas, princípios e liturgia), pois isso todos fazemos em outras instituições. Por exemplo, um indivíduo se assume numa determinada religião, é filiado num partido político, trabalha numa empresa X, freqüenta um clube recreativo e tem família constituída. Essa pessoa irá se comportar sempre da mesma forma em cada instituição? Claro que não! Como também não necessariamente ficará dizendo em todos os lugares o que faz da vida. Essa pessoa divide sua personalidade em 5? Também não, é uma só pessoa! Mas essa pessoa respeita, aceita e entende as regras e dogmas de cada instituição, seja por necessidade (no caso de um emprego), seja por livre escolha – livre-arbítrio. No BDSM entramos com o livre-arbítrio, porém sem nunca esquecer que também é uma instituição (não é constituída juridicamente, não tem representantes legais, etc), mas tem seus costumes, dogmas, princípios, liturgia, e que devem ser entendidos, aceitos e respeitados.


PS: não escrevi este texto com o objetivo de defender o BDSM, pois este é um organismo vivo e uma instituição que tem autodefesa!

terça-feira, 6 de abril de 2010

"FODER"

Navegando pela net encontrei esse poema num delicioso blogger de um casal português..., desprovidos de hipocrisia, bem resolvidos, felizes.
Ao final, faço a devida referência à Manoel e Maria!
E segue o poema da 'FUDELANÇA", sem nenhuma alteração ortográfica!


Foder
Só me apeteceu escrever sem regra, sem correcção, sem voltar atrás.

apetece-me foder.
dar uma foda bem dada, rápida e violenta.
foder-te toda e deixar-te de rastos, tu e eu.
seres a minha puta e eu o teu cabrão.
puxar-te o rabo de cavalo enquanto me chupas.
foder-te á canzana.
dar-te palmadas no rabo e foder-te á bruta.
agarrar em ti e esporrar-me para cima das tuas mamas.

apetece-me............
mais directo é imposivel.
alguém se importa com isso?
se te apanho................


domingo, 4 de abril de 2010

Abaixo a liturgia!!!

Uma sátira das conseqüências dos discursos de "abaixo a liturgia", "não aceito rótulos", "tenho estilo próprio", "não sigo cartilha", "o que importa é o prazer", etc...


Sub - O que devo fazer, Senhor?
“Mestre” - Ah, tem essa de ritual não, anjo, isso é coisa de litúrgico. E pode me chamar de "gato" que Senhor é só no céu.
Sub - Sim "gato". Mas não sei como agir.
“Mestre” – Xiiii, vai querer "livro de regrinhas" ? Relaxa e vai obedecendo. O importante é o prazer.
Sub - Ok gatão, mas não tem coleira?
“Mestre” - Que coleira? Tu é cadela ou minha "putanha"? Coleira é coisa de litúrgico. Qualquer coisa eu uso seu cinto.
Sub - Mas li num site que cinto como coleira pode enforcar.
“Mestre” - E tu num gosta de asfixia? Tudo consensual.
Sub - O certo não é com saco plástico?
“Mestre” - Ai ai ai..., começou o "certo e errado"... tsc tsc... Pra mim, certo e errado é só o SSC (Sexo, Sacanagem e Chupada).
Sub - Perdão Gato, mas gosto de spanking e de chicote.
“Mestre” - Que chicote? Chicote é coisa de circo. Tenho esse meu cinto aqui...
Sub - Esse aí ??!!!! Todo trançado e cheio de costura que vai me deixar toda marcada ?
“Mestre” - Era o único que combinava com a calça nova, gatosinha. Você, não me queria bi-ito? ... Mas se não quer tudo bem. Tudo tem que ser consensual. O que importa é a trepada... digo.. o prazer.
Sub - Sim Gato, tudo bem. Mas sem marcas.
“Mestre” - Sem marcas? Sou Mestre, não sou mágico. Você se vira, sai de burka o restante do mês. Essa coisa árabe ta na moda, né? ... Isso... sempre consensual. Agora se não me der esse cuzinho é que você vai ver o que é levar porrada.
Sub - E vela gato?
“Mestre” - Pode deixar que eu acendo pra dar aquele clima romântico.
Sub - Sei... E Clamps?
“Mestre”- Aiiii !!!! Lembrei que tem que tirar a roupa do varal.
Sub - Aiii meu Gato, adoro sua informalidade. Odeio aqueles Mestres Donos da verdade.
“Mestre” - Vem cá, ajoelha!
*Oba! Vai ter um ritualzinho, pensa a escrava...
“Mestre” - Agora que ajoelhou, chupa!
*Era de se esperar... Dãaannnn
“Mestre” - Agora vou te surrar !!!!!
Sub - Sim, gato.
“Mestre” - Não tá com medo?
Sub - Não, confio no meu gato.
“Mestre” - Mas você tem que ficar com medo. Sem medo não tem graça...
Sub - Vou me esforçar para agradá-lo.
“Mestre” - Deixa eu, pensar... Ah! Vou contar tudo pra sua família!..... aaahhh agora sim hehehh. Começa o ispânquing... Meia hora de porrada, após um "ta doendo" e "Se quiser eu paro e a gente fode logo" e três safewords (tudo bem) depois...
“Mestre” - Já tá bom? Meu braço já tá doendo e não lembro de mais nenhuma mulher que tenha me dado fora.
Sub - hhusmsspprrggthhhhsss
“Mestre” - Ahh esqueci que destronquei seu maxilar... Mas você disse que gostava de apanhar. Tudo consensual, né? Minutinho que vou resolver isso...CAPOOOFFFFFFF....
“Mestre” - Pronto. Voltou pro lugar. É só dar um soco do outro lado. Quem disse que não sou cheio de técnica?
Sub - bur issu gunviu nu sinhô.
“Mestre” - Agora vamos lá... Obediência!!... Levanta... deita de frente... mãos pra cima.... precisa prender não, bondage é coisa de brocha... isso... abre as pernas... faz cara de piranha e me chama!... Tô indo...
Sub - Sem camisinha ????!!!
“Mestre” - Para que camisinha, meu amorzeco? Nada que atrapalhe o prazer. Não confia em mim? Você é minha namorada, minha paixão, minha exclusiva, amor dos meus sonhos, já to pensando nos nossos filhinhos...
Sub - hummmmm.... aaahhhhhhh....Fuck... Fuck... Fuck... splesshhttttS- Já, gato ?????
“Mestre” - Pois é. O que importa é o prazer, querida. Já gozei.
Sub - Mas e eu?
“Mestre” - "Você ta aqui para me servir". Não é assim que seus amigos litúrgicos falam?
Sub - Isso não é consensual.
“Mestre” - É sim. Você abriu as pernas e eu meti. Quer mais consensual que isso?
Sub - Você disse que ia gozar muito (... da minha cara).
“Mestre” - Tá... Tá... Tudo conforme o acertado... Vai ali pro canto.... Isso..... De cócoras... Agora se masturba pro teu Donão, minha putanha... Isso... vai... mais... mais rápido... assim... Gozou?... Nunca foi tão exposta e humilhada, né? Que bom. Isso é que é D/s hard sem frescura. O que importa é o prazer. Agora deixa eu ver o jogo na TV e não reclama, porque você é escrava.... E vai arrumando a casa que faxineira ta uma nota!
* Cinco garrafas de cerveja, um pacote de batata frita, um saco esfolado de tanto coçar e sete arrotos depois, o jogo acaba com o time do Mestre perdendo, o que rende mais umas boas porradas e uma enrabada com cuspe... Tudo consensual.
“Mestre” - Foi bom meu bem?
Sub - Ahhh meu dono, foi o dia mais excitante da minha vida depois da minha primeira comunhão. Já posso entrar com sua coleira na sala de bate-papo gato?
“Mestre” - Não anjinho, nada dessas coisas de coleira na sala. Isso é coisa de litúrgico. Vamos manter a discrição. Nada de "exposição à toa".
Sub - Sim Gato.
“Mestre” - E nada de falar pra ninguém que estamos juntos. Quero nosso amor longe das fofocas. Quero te preservar (...e às minhas outras escravas).
Sub - Nem pra nossa melhor amiga?
“Mestre” - Aquilo é uma víbora com aquele Mestre litúrgico dela. E nada de reservados também. Quero você teclando no aberto só (...para garantir que ninguém vai falar mal de mim e que você não arruma outro). Ta proibida de falar com qualquer Mestre e quem disser que tem coisa pra falar de mim, ignore. É uma ordem.
Sub - Sim Gato. Mas estamos namorando?
“Mestre” - Claro linda, é só minha noiva viajar de novo e a gente vai pro cinema e tem outra trepada... digo, sessão.
Sub - Noiva ???!!!! Conversamos tanto e você não disse que era noivo.
“Mestre” - Você perguntou se eu era casado. Eu respondi.
Sub - Então não vai casar comigo? Apanhei à toa? Daqui há pouco vai dizer que tem outra escrava também.
“Mestre” - Não, anjo, você é única escrava do grande Dom Gostoso.
Sub - Dom Gostoso ?????????!!!!!!!!!!!!!! Seu nick não é o Dom Gatão?
“Mestre” – Xiiiiiiiiiiiiii...


No próximo post “reflexões” vamos discorrer sobre os princípios, a liturgia, o ritual, as regras, etc., dentro de uma relação D/s saudável.

Feliz Páscoa

Páscoa lembra chocolate... hummm

Feliz Páscoa à todos!







sexta-feira, 2 de abril de 2010

CONTOS LIBERTINOS DO MARQUÊS DE SADE


Há lugar para dois

Uma belíssima burguesa da rua Saint-Honoré, de aproximadamente vinte e dois anos, gorduchinha e roliça, carnes as mais viçosas e apetitosas, todas as formas modelares ainda que um pouco cheias, e que acrescentava a tão fartos encantos presença de espírito, vivacidade, e gosto o mais aguçado por todos os prazeres que lhe proibiam as rigorosas leis do himeneu, decidira, havia quase um ano, arranjar dois ajudantes para seu marido que, sendo velho e feio, a ela não somente desagradava muito, como também cumpria mal, se não raramente, os deveres que, talvez, com um pouco mais de desempenho, poderiam acalmar a exigente Dolmène - assim se chamava nossa bela burguesa. Nada mais bem combinado do que os encontros marcados com esses dois amantes: Des-Roues, jovem militar, ficava normalmente das quatro às cinco horas da tarde e das cinco e meia às sete chegava Dolbreuse, jovem negociante com o rosto mais bonito que se pode ver. Era impossível fixar outros momentos; eram os únicos em que a sra. Dolmène estava tranqüila: de manhã, era preciso estar na loja e, à tarde, também tinha de aparecer por lá algumas vezes, ou então o marido voltava, e deviam falar de seus negócios. Por sinal, a sra. Dolmène havia confidenciado a uma de suas amigas que ela gostava muito que os momentos de prazer se sucedessem assim muito próximos um do outro: a chama da imaginação não se apagava, ela assegurava; desse modo, nada mais temo do que passar de um prazer a outro; não era difícil retomar a ação, pois a sra. Dolmène era uma criatura encantadora que calculava ao máximo todas as sensações do amor; pouquíssimas mulheres conheciam-nas como ela própria e, em virtude dos seus talentos, reconhecera que, depois de muito meditar, dois amantes valiam muito mais do que um; com respeito à reputação, era quase a mesma coisa, um encobria o outro; poderiam se equivocar, poderia ser sempre o mesmo a entrar e sair várias vezes durante o dia, e com relação ao prazer, que diferença! A sra. Dolmène, que temia em particular a gravidez, bem segura de que seu marido jamais com ela cometeria a loucura de lhe arruinar a cintura, havia igualmente imaginado que, com dois amantes, havia muito menos risco, quanto ao que temia, do que com um, porque, dizia ela, na condição,de excelente anatomista, dois frutos se destruíam mutuamente.

Certo dia a ordem fixada nos encontros veio a se alterar, e nossos dois amantes, que nunca se tinham visto, conheceram-se de maneira engraçada, conforme mostraremos. Des-Roues foi o primeiro, mas chegara muito tarde, e como se o diabo tivesse se intrometido, Dolbreuse, que era o segundo, chegou um pouco mais cedo.

O leitor inteligente percebe de imediato que, da combinação desses dois pequenos erros, deveria acontecer, infelizmente, um encontro infalível: e assim sucedeu. Porém, mencionaremos como isso se deu e, se possível, ocupemo-nos desse assunto com toda decência e moderação que tal assunto já por si muito licencioso, exige.

Por obra de um capricho bastante bizarro - mas tão comum entre os homens - nosso jovem militar, cansado do papel de amante, quis, por uns momentos, representar o da amante; em lugar de ser amorosamente abraçado por sua divindade, quis, por sua vez, abraçá-la: em resumo, o que está embaixo, coloca-o em cima, e, por essa inversão de posição, inclinada sobre o altar onde normalmente se oferecia o sacrifício, era sra. Dolmène que, nua como a Vênus calipígia, e encontrando-se estendida sobre seu amante, apresentava, diante da porta do quarto onde se celebravam os mistérios, o que os gregos adoravam com devoção na estátua que acabamos de mencionar, essa parte mui bela que, em suma - sem sair à procura de exemplos tão remotos - encontra tantos adoradores em Paris. Tal era a atitude quando Dolbreuse, acostumado a entrar sem dificuldade, chega cantarolando, e vê por um ângulo o que uma mulher verdadeiramente honesta não deve, segundo dizem, jamais mostrar.

O que teria causado grande prazer a muitas pessoas fez com que Dolbreuse recuasse.

- O que vejo? - exclamou - ... traidora... é isso que me reservas?

A sra. Dolmène que, naquele momento, se encontrava numa dessas crises em que uma mulher age infinitamente melhor do que raciocina, resolve mostrar-se audaciosa:

- Que diabo tens tu, - diz ela ao segundo Adônis - sem deixar de se entregar ao outro - não vejo nisso nada que te cause muito pesar; não nos perturbes, meu amigo, e contenta-te com o que te resta; como bem podes notar, há lugar para dois.

Dolbreuse, não conseguindo deixar de rir-se do sangue-frio de sua amante, pensou que o mais simples era seguir o conselho dela, não se fez de rogado, e dizem que os três lucraram com isso.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Comida

Você tem sede de que?



Você tem fome de que?



A gente não quer só comer,
A gente quer prazer pra aliviar a dor.



A gente quer inteiro e não pela metade.



E você, do que tem fome?